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Praticando esporte nas alturas

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Edson Struminski, professor do Núcleo Interdisciplinar de Pós-Graduação do Unit, é formado em Engenharia Florestal, mestre em Conservação da natureza e doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Pratica montanhismo há 35 anos e a influência do esporte foi propulsora para a capacidade de trabalhos em campo, sobretudo em terrenos difíceis ao acesso ou em áreas de risco natural que exigem boa condição física e capacidade de detectar riscos.

Edson trabalhou em várias regiões do Brasil, inclusive na Amazônia, fazendo consultorias e projetos para grandes empresas automobilísticas, de cosméticos, além de órgãos estatais e em universidades. Em Alagoas, produz um mapeamento da biodiversidade dos ecossistemas em áreas de refúgios vegetacionais, que são aqueles onde se encontram remanescentes valiosos, como cumes de morro ou paredes rochosas. “É uma forma agradável de aliar a pesquisa a um esporte saudável que já me permitiu criar alternativas sustentáveis para o ambiente”, destaca.

O professor participou da Primeira Semana Brasileira de Montanhismo entre os dias 23 de abril e 1 de maio. Várias atividades compuseram o evento que acontece regularmente no Rio de Janeiro, assim como o Encontro de Parques de Montanha e a Abertura da temporada de Montanhismo que inclui palestras de atletas e montanhistas, apresentações do Cine Montanha na Praça e o Encontro Científico sobre o uso e conservação das montanhas. Ele fez parte da organização do evento e apresentou uma conferência com base em dados sobre as pesquisas desenvolvidas, nessa área, no Brasil. “A convivência com especialistas dessa modalidade foi extremamente importante para vislumbrar uma identidade comum dos pesquisadores de ambientes montanhosos em diferentes áreas de conhecimento”, destaca.

Struminski tem um blog que conta toda a sua trajetória e experiências como montanhista, além de revelar particularidades e desafios desse tipo de esporte. De acordo com ele, esses congressos que são realizados favorecem o networking entre os participantes, facilitam o conhecimento e troca de experiências, além de conhecer os anseios, ganhos e as dificuldades que os montanhistas convivem.

A seguir, um trecho de apresentação do esporte retirado do blog Du Bois:

“A escalada é muito influenciada pela estética. Edgar Morin, um filósofo francês, comentou certa vez que a estética é um dos traços mais importantes e característicos desta modernidade em que vivemos e o montanhismo, como esporte, é certamente uma expressão muito viva de uma modernidade que pode se dar ao luxo de frequentar e valorizar os ambientes de montanha, inclusive pela beleza destes lugares. O montanhismo, portanto, valoriza a estética.

Mas associar a escalada apenas à estética, a movimentos bonitos na ascensão de paredes, a belas linhas nas rochas, a belas paisagens nas montanhas, pode ser uma faca de dois gumes para uma atividade como o montanhismo, onde os valores humanos desempenham papel importante. Só pela estética não se pode falar em montanhismo.

Os valores éticos são importantes no montanhismo. São uma expressão prática da forma como os montanhistas se relacionam com a natureza específica destes ambientes peculiares. Apenas podemos falar em montanhismo quando existem valores éticos expressos nas escaladas e ascensões realizadas pelos montanhistas e não apenas valores esportivos.” Du Boisem

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